segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Opinião: E nós, gaúchos, como ficamos nessa história?

   No país vizinho estamos acompanhando um exemplo a não ser seguido, o das barras bravas tomando as capas dos jornais por atos irregulares. Os problemas com as barras não se resumem ao ocorrido na cancha do Boca e do Newell's neste final de semana, é um problema histórico do futebol argentino e da hispano-américa. Durante a semana também ocorreu a agressão ao defensor do San Lorenzo, Jonathan Botinelli(irmão de Darío Botinelli, jogador do Flamengo), pelos componentes da barra do clube. Os atos de vandalismo das barras bravas não passam única e exclusivamente pelos maus resultados alcançados pelo clube. Transcendem este campo, os interesses das barras bravas alcançam o campo político, de onde, condicionado a quem apoiam e quem se elege, originam os recursos para o sustento da torcida. 
   O caso da La 12 assusta. O Ministério de Segurança irá propor ao Boca nos próximos dias que faça uma lista com os nomes de 2.000 sócios, sem a inclusão de relacionados as duas facções, para que ocupem a tribuna de visitantes no Amalfitani, para a partida diante do Vélez no próximo final de semana. As tentativas para evitar o atrito entre o bando de Mauro Martín e de Rafa Di Zeo não cessam. Lamentavelmente sabe-se que está por ocorrer, apesar de Di Zeo ter declarado em entrevista após a partida que está em missão de paz, que só quer acompanhar ao Boca. Contudo, deixou claro, caso sua facção seja atacada, irá se defender. 
Bom, visto a dimensão do problema que o fator barra brava esta por ocasionar, me queda um questionamento, e nós, gaúchos, como ficamos nessa história?
   Já se vão quase 10 anos desde o ''ingresso'' do jeito latino de se torcer no Brasil, em especial no Rio Grande do Sul. Entre as inúmeras similaridades entre gaúchos, argentinos e uruguaios, eis mais uma. No entanto, as lindas festas, o apoio intenso as equipes, todo o  belo cenário formado pelas barras bravas tem um preço. Hoje, acredito que os clubes, e a sociedade gaúcha, ainda não pagam este preço.
   Recentemente tivemos no Beira-Rio a separação da Guarda Popular, em Guarda Popular(ou Colorada) e Popular do Inter, na Azenha, a Geral e a Velha Escola seguem caminhos distintos há algum tempo. As barras gaúchas, nem de longe, tem a força que as argentinas têm em seus clubes, contudo, poderão ter. Caso venham a ter toda a reprentatividade que, por exemplo, tem a La 12 para o Boca, Los Borrachos del Tablón para o River, Los Diablos Rojos para o Independiente, teremos disputas tão prejudiciais ao meio futebolístico, quanto as que hoje assistimos a uns 1.300km de distância.
   Não sou um anti-barra bravas, pelo contrário, sou a favor destas, desde que não alcancem as condições do que estamos a acompanhar na Argentina. Acredito que se domadas em quanto há tempo, não iremos presenciar fatos como o de rompimento de catracas, agressão a jogadores, exploração financeira para com os clubes, o futebol gaúcho não necessita deste tipo de atraso. Cabe aos diretivos dos clubes e aos órgãos públicos ficarem atentos quanto a esta questão.

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